Primavera/Verão 2024: O que a moda brasileira deve abraçar nesta estação

Primavera/Verão 2024: O que a moda brasileira deve abraçar nesta estação

Introdução

Com a chegada da primavera, as ruas brasileiras se preparam para receber uma mistura de leveza, cor e atitude. As passarelas internacionais já deixaram o convite: peças estruturadas, paletas vibrantes e uma forte pegada sustentável. Para quem acompanha o Manicare, o desafio é traduzir essas referências globais ao cotidiano do Brasil, considerando clima, cultura e o crescente desejo por consumo consciente.

Peças que vão dominar as ruas

Os desfiles de Paris, Milão e Nova Iorque mostraram que o futuro imediato da moda está nos contrastes entre formalidade e descontração. Abaixo, os itens que prometem ocupar o guarda‑roupa urbano:

  • Ternos leves e estruturados: blazers e calças de alfaiataria em linho, Tencel ou algodão orgânico. O corte é mais solto, permitindo movimento, mas mantém linhas nítidas que conferem elegância sem esforço.
  • Vestidos e macacões fluidos: silhuetas amplas com recortes assimétricos. Tecidos drapeados caem como “cortina”, criando um efeito escultural que funciona tanto em festas quanto em passeios ao parque.
  • Camisas oversized: gola alta ou laço, muitas vezes em tecidos translúcidos que jogam luz. A proposta é sobrepor camadas, criando um visual de “estilo sem esforço”.
  • Shorts paperbag de cintura alta: cinto largo que marca a cintura e confere volume ao quadril. As versões sustentáveis chegam em denim reciclado ou couro vegano, reforçando a agenda ecológica.
  • Lingerie‑inspirada: corsets de tecidos leves, tops de renda e blusas que lembram peças íntimas, mas são totalmente apropriadas para o dia.
  • Acessórios utilitários: bolsas bucket com tiras de corrente, sapatos de plataforma robusta e botas de cano curto “chunky”. Eles adicionam um toque de praticidade ao visual fashion.

Cores que iluminam a estação

A paleta de 2024 aposta em contrastes marcantes. Enquanto o cobalto intenso lidera como cor‑estrela, tons mais quentes como laranja, tangerina e amarelo canário trazem a energia do verão brasileiro. Verde esmeralda aparece em peças de luxo, enquanto os neutros terrosos equilibram a explosão cromática. Para quem prefere suavidade, os pastéis de rosa pálido e azul bebê continuam como opções de “backup”.

Cortes e estilos que redefinem o conforto

O conceito de relaxed tailoring – ternos desconstruídos com ombros caídos – continua a ganhar força. Essa abordagem une o rigor da alfaiataria à liberdade do streetwear, permitindo que o profissionalismo se traduza em conforto. Ao mesmo tempo, a estética gender‑fluid se consolida: camisas oversized, calças cargo e sapatos de salto baixo são peças unissex que dialogam com a busca por inclusão.

Recortes “cut‑out” estratégicos dão um ar de sensualidade sem revelar demais, enquanto detalhes artesanais – bordados à mão, patchwork e tecidos visíveis – reforçam a valorização da produção consciente. Estampas ousadas, como xadrez oversized e motivos botânicos estilizados, completam o repertório visual.

Os nomes que ditam a pauta

Alguns houses continuam sendo faróis de inspiração:

  • Dior: reforçou o cobalto e as silhuetas fluidas em sua coleção “Spring‑Summer 2024”.
  • Prada: trouxe tecidos sustentáveis como lyocell e algodão reciclado, além de cortes utilitários que reforçam a ideia de “funcionalidade fashion”.
  • Balenciaga: manteve a aposta em proporções exageradas e no discurso gender‑neutral.
  • Bottega Veneta: inovou ao apresentar couro vegano em bolsas estruturadas e botas de cano curto.
  • Burberry: reinterpretou o clássico xadrez em cores neon, gerando um contraste entre tradição e modernidade.
  • Stella McCartney: lidera a moda circular, apresentando peças 100 % recicladas e processos de baixa emissão de carbono.

Essas casas influenciam não só o mercado de luxo, mas também marcas fast‑fashion e designers emergentes que buscam adaptar o zeitgeist ao público brasileiro.

Movimentos e narrativas que vão além do look

Os desfiles de 2024 deixaram claro que a moda não pode mais ser vista como mera estética. Três narrativas se sobressaem:

  • Sustentabilidade e circularidade: o uso de fibras regenerativas como Tencel, lyocell e algodão orgânico, aliado a processos de reciclagem de poliéster, está se tornando um critério de compra tão importante quanto o design.
  • Quiet Luxury: o luxo discreto, sem logotipos ostensivos, ganha terreno. Consumidores valorizam qualidade de material e acabamento refinado, buscando peças que durem e transcendem tendências.
  • Inclusividade de gênero: coleções que desfazem a divisão tradicional entre masculino e feminino se consolidam como padrão, oferecendo versatilidade para diferentes identidades.

Além disso, a tecnologia têxtil avança com tecidos que regulam temperatura, resistem a manchas e apresentam brilho iridescente. Essa inovação abre espaço para peças que unem performance e estilo, ideal para o clima quente e úmido de muitas regiões brasileiras.

Como aplicar essas tendências no dia a dia brasileiro

Para quem quer incorporar o espírito da primavera/verão 2024 sem perder a identidade, algumas dicas práticas são úteis:

  • Invista em um blazer de linho cobalto: ele funciona tanto em ambientes de trabalho quanto em happy hour.
  • Combine um macacão fluido com sandália chunky e bolsa bucket de couro vegano – a combinação une conforto, sustentabilidade e presença.
  • Use shorts paperbag com uma camisa oversized translúcida; acrescente acessórios utilitários para fechar o look.
  • Adote peças artesanais – um vestido bordado à mão ou um patchwork de jeans – para reforçar a conexão com o movimento de produção consciente.

Essas escolhas permitem que o consumidor brasileiro se alinhe às tendências globais, ao mesmo tempo em que celebra a riqueza cultural e climática do país.

Fontes

Read more